domingo, 30 de junho de 2019

Minha vida profissional... me entendendo como ser político.

O ano era 1999 e com ele vem a possibilidade de iniciar em uma profissão que eu tanto relutava, a de professora. Já havia outras professoras na minha família e eu mesma fora, muitas vezes, objeto de estudos, da minha irmã mais velha que já há bastante tempo estava no magistério.
Na época em que me inscrevi para fazer o curso esta modalidade de aproveitamento de estudos só havia em uma escola particular, o colégio de irmãs Santa Catarina. Neste momento trago à memória as dezenas de anos em que eu fora a única aluna negra da turma ou uma das únicas alunas negras de toda a escola, que ao somar não preenchiam os dedos de uma mão.
Sendo de família humilde, não tinha como pagar este curso e fui até a Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo ver se existia a possibilidade de fazer algum estágio em troca do pagamento da mensalidade escolar, e para a minha surpresa havia e fui aceita.
Tão logo iniciou o curso, já comecei a trabalhar em uma escola na periferia de NH, no bairro Kephas, uma dura realidade para quem estava em seus primeiros passos na profissão. Neste espaço, percebi onde estavam os demais homens e mulheres negras da minha cidade, pessoas estas que migraram de outras cidades em busca de um espaço profissional e encontravam ali na comunidade, um espaço para tentarem recomeçar as suas vidas.

Eu penso que, se tivesse sido diferente meu início, não teria desenvolvido um apreço tão grande pela escola pública e não teria tanta convicção do que penso para a educação em nosso país.

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